terça-feira, 21 de outubro de 2008

Cegueira

"Dentro de nós há uma coisa que não tem nome
isso é o que somos. "

Já diziam citações
psicografadas em capa preta

é pouco tempo pra se levantar
Se a gente dura o pouco duro louco doido pra não enchergar

o medo de acordar
ver-se sem nome
sem ter por que olhar

se a gente chora é pra que vejam
o que a gente quer que vejam
e se ninguém vê pra que chorar?

sem norte sem rumo
Estou apagado
e sem sinal

eu ando cego por ai
perdido em algum canal
da sua tv digital

Deus e o Diabo

Como se fosse a estátuaque com suas setas disparasseo filho da terra do chão rachadoFoi achado desconvalecidono caminho perdido que vai darno meio do roçado.Quem tem de beber a água do verde mar não chora.Chora de fome, chora por ser homem, e por ter por única riqueza lacrimejar.Chora com gosto, chora de desgosto, Com gosto do podre nos lábios sem ter com quem chorar.Pois a terra do sol pegou fogo.atiçou o fogareiro la das brenhas do planalto.Tomou-se de assalto, o violeiro cego que passava a tropeçar.Correu pra avisar mãe pretinha, botar água no pouco que tinha pra jantar.é face de gente guerreira, de povo que costuma acreditar.e quem preza pela reza, se é pra deus ou pro diabo, é pra quem antes retornar.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Por quem passa por isso.

Sem nem sabermos que estamos levando a vida rumo a uma situação irreverssível, nós, os covardes, enchergamos tudo ao contrário. Vemos no belo a imperfeição às vezes maldosa, e no desagradável a possível solução de nossos problemas. O problema é, para os covardes, saber o que é, para nós, os covardes, belo ou desagradável. O que embaraça a mentecoração dos covardes é a triste realidade de, quanto mais amam o belo, ou o desagradável, privam-se da noção do que realmente está aqui para cuidar de nós, os covardes. palavra de quem passa por isso.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

O transeunte.

Adalberto nasceu sadio, com cerca de dois quilos e oitocentos gramas de massa corporal. Estudou, cresceu, empregou-se, multiplicou-se e, após ter realizado seu único e verdadeiro sonho juvenil de escrever um livro sobre quem nós não conhecemos pôde,finalmente, sem nenhum sentimento de culpa ou dúvida de não ter aproveitado como devia, dizer ter existido.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Os nossos olhos

Sabe, hoje eu acordei com aquela vontade repentina de te ligar. Como se fosse um hábito, um costume encravado, pensar em ti era tão inevitável como entrar no choro ao som de bandolins. Mas foi tão imprevisivel, que eu nem mais pensei em pensar, em dizer que não iria pensar, em pensar em dizer. E quando você chegar com manchas de outro sol no rosto, com o cabelo bagunçado por outros ventos, e pensar em pedir licença para entrar de novo na dança, acorde, tema, sinta aquela lembrança do dia em que te pedi perdão sem ter errado. Pode parecer romantismo bobo, mágoa inquebrável, sentimento infantil de não querer mais sentir, se dando ao luxo da saudade, mas meus olhos para ti já não podem ser os mesmos. é engraçado, pois entramos num consenso de não mais sentir algo, mas, neste mundo ironico, infelizmente, nunca vi acordos com o coração. O que mudam não são os horizontes nossos, nossa proxima aventura, não. O que mudam são os nossos olhos.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Um quê de conteporâneo.

No fundo no fundo, aquele que tanto vê, às vezes nem sente o que o morto sentiria se pudesse sentar-se ao lado daquela loira gostosa.
às vezes aquelas manchas de tinta, que nem cheiram à tinta poderiam falar e dizer-me: eu não sou nada.Mas elas apenas ficam lá, cobrando alguns trocados de gente que não sabe o que faz.
às vezes, quem pensa no que não existe, poderia trazê-lo ao mundo e transformá-lo em jardim.O que não é inverossímel, o que se torna incompreendido, é pós-modernismo demais para mim.

terça-feira, 25 de março de 2008

O estranho sentimento

Sentirei o que muitos sentiram e outros tantos nem chegarão a sentir. Sentirei o noturno sentimento de bêbado e atravessarei a rua como um equilibrista atravessa a corda, o que alguns ja o fazem ou fizeram, e outros nem chegarão a saber como o é senti-lo.Atravessará meus nervos e peles a estranha sensação de ser de alguém, ou, ainda mais estranha, a de pertencer a alguma alma caridosa. também, espero, esperançosamente, sentir como é ser amado, e desamado, odiado e bem-quisto, esquecido, lembrado, desconhecido. Espero sentir como é conhecer algo que alguém não tenha pensado antes, algo que só você e eu pudessemos imaginar e, em alguns momentos de puro ócio, criá-lo com nossas mãos vazias. Espero, ainda, que um dia possa vir a sentir. Hoje eu sinto muito por não poder mais sentir você.

domingo, 23 de março de 2008

A sua memória

Até o jeito de sentir me foi mudado. Cada palavra que ainda me escapa à boca é o que eu não sei que sou. Fugido do meu proprio lar, sem minhas víceras, meus dentros e entres de mim mesmo, sem que eu saiba que não estou sendo o que devia ser. Olhando para o muro de minha vida e vendo as sombras que ,dizem os homens, serem a realidade. Eu não imagino o que seja o real. Se não forem as sombras que vejo, certamente o real será um quadro mal pintado que explique a raiva de existir domingo à tarde. tarde de domingo não é real. todo aquele tédio só pode ser bazeado em toda a chatice que não foi posta no mundo, como se não fosse a esperança a única a nao ter saido da caixa de pandora. sou verdadeiramente atraido pelo louco e sem sentido. Sou como esse texto. Raramente lido por alguém, e, quando lido, logo expelido da sua memoria.

E foi assim...

que aquele que não queria viver acabou morrendo. De tanto falar em Adorno, suas sobrancelhas marrons não suportavam mais o levantar que a filosofia as imprimia, e acabaram despencando. Foi alvo de discussões capiciosas, como a possivel experimentação em arte com salsinha e as relações existentes entre literatura e bolo de carne. Ele viveu, mas logo havia pedido de natal uma merendeira, e não possuia mais seu relogio com calculadora. Era o fim de sua vida. Como poderia este homem viver tendo passado por todas essas mazelas da vida, e, ainda, ter perdido em uma aposta seu querido poney austriaco chamado quasimodo. era um desperdicio de tempo.E foi assim, corriqueiramente, sem que ninguem soubesse, que aquele que não mais queria viver morreu.Fim. sem que seja triste, é claro.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Pois ser é...

A vida que a gente leva é a vida que a gente leva, foi o que disse certo homem à certa mulher outra vez. Em verdade, o homem citado estava meio certo. A vida seria como uma escada rolante. Podemos segui-la, tranquilamente, subindo, descendo, às vezes brincando de parar no final e atrasando a vida de todo mundo. às vezes, ao olhar para o lado em busca de alguém famoso ou do sucesso à outra esquina, tombamos e, inevitavelmente, ficamos envergonhados ao passo de nosso levantar. Não há arte alguma em comparações como esta. A arte está em não aceitá-la, como ver filosofia em filosofia alguma. Fosse como quisesse, ter amor e não ter lingua para falar dele, ou ter lingua suficiente e ser de coração vazio. A arte de ser está plenamente no seu exercício, ou em não exercitá-lo de maneira alguma. Só quem vive ou deixa de viver sabe o que é ter arte ou filosofia, sendo seu o ócio ou o divertimento, a verdade ou páginas de revista, a bossa nova ou o rock n roll. é como ser jornalista e ter que procurar em um sebo o motivo de uma matéria, ou da anti-matéria. é como ter tudo e ter nada. é como ser fraco ou frio e ler poesia, é como, sabe, tudo na vida.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

O bicho

por curiosidade transformei um homem em um piolho.Ele era parasita, como o piolho o é.ele era pequenininho para o seu mundo, como o piolho o é.ele até vivia em grupinhos de pessoas iguais a ele, como os piolhos o fazem.Ele tirava do seu solo o seu alimento, como os pequenos artropodezinhos também costumam fazer.Esse homem também costuma ser esmagado pelas mãos das pessoas quando sentem que são picadas.Mas, diferente do bichinho que vive nos atazanando a cabeça, o homenzinho não tirava sangue do chão que pisava. Ele o derramava, e em grandes quantidades.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

A obra

Hoje, ao voltar da boemia, cheio de chop e violao nos olhos, Vi um operário na rua, vazio de cimento e café na vista. Antes de tudo, antes que pergunte ou antes que remeta, nada fiz, apenas o vi. Era de rosto magro, nas pernas e nas enxadas, tudo o que possuia era seu olhar fixo no próximo andaime a ser escalado. Pensei serem aqueles andaimes o caminho para o inferno de dante, ou seria o paraíso? Curioso. Mas não deve haver curiosidade alguma naquele lugar, onde tantos devem tanto a um só,e esse um só dando tão pouco a estes outros tantos. O sinal abriria já, e meus olhos mal conseguiam acompanhar os movimentos do operário, cada braço acima, cada perna corajosa para subir, e subir, e subir, para ter do tijolo o seu pedaço de pão. Para ele, como dizia um poeta, é claro, um tijolo jamais valeira mais do que um pão, pois um pão ele daria aos filhos e o comeria, e o tijolo, apenas o forçaria a pregá-lo, pregá-lo, como mais um tijolo na parede. Eu nem sabia seu nome, sua idade, o que ele gostaria de fazer, mas, naquele instante, em que tantos outros operários em construção executavam o mesmo resvalar de cimento e areia por todo o mundo, aquele seria, para mim, aquele que tantos poetas cantaram, aquele que ninguem encherga, aquele que muitos chamam de aquilo.

domingo, 27 de janeiro de 2008

Arrependimento

Arrependimento é uma dádiva dos deuses. Dádiva esta tardia. Estariam os deuses sempre muito ocupados? Sempre! Sempre me arrependo em tempos errados. E se arrependimento matasse estaria eu bem Bras Cubas a uma hora destas. Arrependimento é dádiva. Dádiva divina. Infernal sina que desmancha amores ainda por nascer. E eu aqui, pagando por merecer a crapulice que cometi. Sem cor nem brilho, o arrependimento que antes me comovia, agora arrebata meu coração. Arrependimento é sofrimento, arrependimento é coisa do cão.