quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Pois ser é...

A vida que a gente leva é a vida que a gente leva, foi o que disse certo homem à certa mulher outra vez. Em verdade, o homem citado estava meio certo. A vida seria como uma escada rolante. Podemos segui-la, tranquilamente, subindo, descendo, às vezes brincando de parar no final e atrasando a vida de todo mundo. às vezes, ao olhar para o lado em busca de alguém famoso ou do sucesso à outra esquina, tombamos e, inevitavelmente, ficamos envergonhados ao passo de nosso levantar. Não há arte alguma em comparações como esta. A arte está em não aceitá-la, como ver filosofia em filosofia alguma. Fosse como quisesse, ter amor e não ter lingua para falar dele, ou ter lingua suficiente e ser de coração vazio. A arte de ser está plenamente no seu exercício, ou em não exercitá-lo de maneira alguma. Só quem vive ou deixa de viver sabe o que é ter arte ou filosofia, sendo seu o ócio ou o divertimento, a verdade ou páginas de revista, a bossa nova ou o rock n roll. é como ser jornalista e ter que procurar em um sebo o motivo de uma matéria, ou da anti-matéria. é como ter tudo e ter nada. é como ser fraco ou frio e ler poesia, é como, sabe, tudo na vida.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

O bicho

por curiosidade transformei um homem em um piolho.Ele era parasita, como o piolho o é.ele era pequenininho para o seu mundo, como o piolho o é.ele até vivia em grupinhos de pessoas iguais a ele, como os piolhos o fazem.Ele tirava do seu solo o seu alimento, como os pequenos artropodezinhos também costumam fazer.Esse homem também costuma ser esmagado pelas mãos das pessoas quando sentem que são picadas.Mas, diferente do bichinho que vive nos atazanando a cabeça, o homenzinho não tirava sangue do chão que pisava. Ele o derramava, e em grandes quantidades.