terça-feira, 25 de março de 2008
O estranho sentimento
Sentirei o que muitos sentiram e outros tantos nem chegarão a sentir. Sentirei o noturno sentimento de bêbado e atravessarei a rua como um equilibrista atravessa a corda, o que alguns ja o fazem ou fizeram, e outros nem chegarão a saber como o é senti-lo.Atravessará meus nervos e peles a estranha sensação de ser de alguém, ou, ainda mais estranha, a de pertencer a alguma alma caridosa. também, espero, esperançosamente, sentir como é ser amado, e desamado, odiado e bem-quisto, esquecido, lembrado, desconhecido. Espero sentir como é conhecer algo que alguém não tenha pensado antes, algo que só você e eu pudessemos imaginar e, em alguns momentos de puro ócio, criá-lo com nossas mãos vazias. Espero, ainda, que um dia possa vir a sentir. Hoje eu sinto muito por não poder mais sentir você.
domingo, 23 de março de 2008
A sua memória
Até o jeito de sentir me foi mudado. Cada palavra que ainda me escapa à boca é o que eu não sei que sou. Fugido do meu proprio lar, sem minhas víceras, meus dentros e entres de mim mesmo, sem que eu saiba que não estou sendo o que devia ser. Olhando para o muro de minha vida e vendo as sombras que ,dizem os homens, serem a realidade. Eu não imagino o que seja o real. Se não forem as sombras que vejo, certamente o real será um quadro mal pintado que explique a raiva de existir domingo à tarde. tarde de domingo não é real. todo aquele tédio só pode ser bazeado em toda a chatice que não foi posta no mundo, como se não fosse a esperança a única a nao ter saido da caixa de pandora. sou verdadeiramente atraido pelo louco e sem sentido. Sou como esse texto. Raramente lido por alguém, e, quando lido, logo expelido da sua memoria.
E foi assim...
que aquele que não queria viver acabou morrendo. De tanto falar em Adorno, suas sobrancelhas marrons não suportavam mais o levantar que a filosofia as imprimia, e acabaram despencando. Foi alvo de discussões capiciosas, como a possivel experimentação em arte com salsinha e as relações existentes entre literatura e bolo de carne. Ele viveu, mas logo havia pedido de natal uma merendeira, e não possuia mais seu relogio com calculadora. Era o fim de sua vida. Como poderia este homem viver tendo passado por todas essas mazelas da vida, e, ainda, ter perdido em uma aposta seu querido poney austriaco chamado quasimodo. era um desperdicio de tempo.E foi assim, corriqueiramente, sem que ninguem soubesse, que aquele que não mais queria viver morreu.Fim. sem que seja triste, é claro.
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