segunda-feira, 2 de março de 2009

O peso do pão

O hábito de dirigir mal já me rendeu bons frutos. Exemplo primo deste fato foi minha experiencia na sexta-feira passada, quando voltava de uma noite comum, de mesa de bar, em que algum rapaz cantava, enquanto outros alguns fingiam estar escutando. O rapaz cantava bem, apesar de algumas pessoas em minha mesa reclamarem de sua performance em que fechava os olhos. parecia estar sonhando com alguma coisa agradável, uma praia, um bosque cheio de animaizinhos fofos, ambientes impossíveis de se imaginar quando se canta em bares lotados pelo barulho de copos quebrando. Mas esse não é o ponto principal da nossa conversa. ao voltar de um resto principal desta noite agradável, ao qual não me referirei minuciosamente, estanquei virtuosamente o carro e vi um rapaz de canelas finas sentado sobre a calçada. Concentrado, raramente olhava para os lados, os pequenos córregos de água da chuva lavavam inconscientemente seus pés descalços. Ele estava pronto para o trabalho. Com suas mãos leves levava as notícias que os médicos, empresários, advogados e donos de jornais iriam ler durante o expediente. Não houve parte interessante, você leitor que pensou que iria morrer de susto ou de riso ao final desta conversa. A parte que me intrigou foram os 15 segundos filosóficos em que pensei nestes que realmente nos trazem as boas novas sobre a crise financeira ou sobre o mais novo campeão de futebol cearense. Boas novas. Parecia que na capa daquele jornal estava escrito que ela me amava, em letras grandes. O sinal abria, meus olhos cansados voltavam a enxergar o cinzento do asfalto, e as finas canelas começavam a andar, levando o peso necessário para garantir o pão de quem lê e escreve.

2 comentários:

Maristella disse...

Ei, fui eu quem reclamou, afinal cantor que se preze olha o que é real o que está ao redor e não viaja em bosques encantados, por que o mundo real é assim, frio, triste e cheio de pessoinhas que alegram os nossos dias..
Resumindo, loro maldito.. Te odeio!

Crisneive Silveira disse...

O peso do pão, o peso da consciência e o da realidade. Percebo que personagens urbanos te atraem. Concordo. Há neles um mistério quase indescritível.

Adorei o texto.