Vagos são os pensamentos que me vem à cabeça quando ouço a palavra cantina. Não é lá uma palavra muito importante para o nosso cotidiano, eu sei. A verdade é que não gosto de pronunciar a palavra "cantina". tenho vergonha ou algo parecido. Só sei que não me sinto nem um pouco à vontade quando acabo de falar essa bendita palavra que começa com "C" e termina com "A".
Quando criança, costumava convidar amigos para lanchar comigo no recreio indo à lanchonete ou até mesmo ao ,nunca pronunciado por crianças, refeitório. Refeitório era sinal de coisa de adultos, ou sei lá, as crianças não costumam dizer por aí aos pais que lancharam no refeitório. Mas é por que cantina não dá. Certo vexames já aconteceram, como o famigerado caso da Coordenadora que perguntou ao aluno se este havia deixado suas coisas na cantina, e o aluno respondeu "não, na bodega". A entidade do colégio teve aquilo como ofensivo e convocou os pais do aluno. Nem para buscar referencias no sujeito transcendental do pobre aluno que não havia encontrado nenhuma outra palavra para substituir cantina naquele infeliz momento, lembrando-se de que no recinto vendia-se balas e saquinhos de pipoca. Bodega. que palavra.
Atualmente este trauma já não me afeta muito. Só não costumo conversar com ninguém sobre tomar um cafezinho nos intervalos das aulas.
quarta-feira, 22 de abril de 2009
quinta-feira, 16 de abril de 2009
A minha capa
Tenho quase certeza de que já não posso mais ter certeza de nada nesses novos dias ditos modernos. Hoje, por exemplo mais próximo, detive em meus olhos uma infância inteira em desuso, destruída por um comentário acerca de uma capa de chuva azul que usava, mesmo já estando completamente ensopado. Tão confortável era o instrumento de proteção à chuva. E possuía o cheiro dela, até nos pequenos cordõesinhos que ajustam o quão apertada a nosso corpo a capa iria ficar. Se não fosse tão gordo, escolheria que a capa me vestisse rigidamente o corpo, grudada em cada centimetro de pele que ela pudesse abarcar. Talvez assim eu sentisse em cada parte dessa capa antes usada por ela o toque de que estive com saudade durante toda uma manhã chuvosa, entre filas de repartições meio-públicas e diálogos desinteressantes no centro da cidade. Meio quilo a menos. Resta talvez, agora, mais ou menos um e meio de mim pra que eu possa de novo amar a quem tanto amo, e sentir de novo o cheiro de capa de chuva nos ombros lisinhos dela. Meu medo é de que essa minha capa só volte a me vestir quando eu já estiver todo ensopado outra vez.
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