sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Pequena reflexão orgânica

Um sorriso triste digno das grandes merdas da vida é o que carrego entre os lábios agora.
Que é, senão parcela fundamental do entendimento humano, a merda?
Merda é a primeira coisa que nos vem à cabeça quando olhamos para situações dentro de situações sem lógica ou soluções, ou soluções para situações que não possuem lógica, ou sua namorada entendendo perfeitamente o contrário do que você queria dizer. Merda! aquele grito interno sufocado parece que sai com uma leveza característica dos desabafos regados a gritos e pancadas no volante. Merda! Soa como sinfonia, como movimento harmônico tão simples, que parece até bobagem trazermos aqui o quão simples é a delícia que é dizer merda, fazer ou arquitetar, premeditadamente, merdas posteriores.
Eu, teórico-prático da grande arte das boas merdas da vida, entendo que neste momento me encontro no estágio máximo do ciclo de vida da cagada humana. A eterna comédia de nossos antepassados e herdeiros é este ciclo, da cagada à decomposição, até o acontecimento de um novo acidente que, por mando das ironias mais fortes presentes na antropologia social, nos faz olhar para trás e refletir a respeito do tanto de merda que fazemos na nossa vida.