sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Fisico-química

Meus pés doiam bastante quando voltava para casa, à noite, depois de um dia inteiro de aulas de física, as quais exigiram milagres do esforço físico, de todas as equações da relatividade. O ônibus feito de carne humana executava um traslado confuso, meio torto, meio circular uniformemente variado na praça portugal, meio cheio de trabalho quando idosos subiam, quase sempre carregado de uma força certamente absoluta. Essa força de que falo, sei que me entende, não é dessas forças que nós podemos medir, vetorialmente, com olho, lápis, na ponta da faca. Essa força é meio estranha, talvez fora de balanceamento. Mas, ah, essa força, essa interação tão próxima entre nós moléculas que nos tira a respiração, que faz procurar a janela, essa força, ah, falta a palavra. Outra curva, mais moléculas nesta imensa reação móvel que, neste momento, cruzava, cataliticamente, a avenida Barão de Studart, apressadissima, talvez incentivada pelo nosso saldoso hidrocarboneto apelidado Diesel. Faltava pouco, pouquissimo tempo e eu já estaria...consumido?
Fora do ambiente fechado ocorreu-me o pensamento triste, de que os nobres cientistas que pensaram nos maravilhosos, grandes e bonitos ônibus se lembraram de nós, moléculas, aderidas a tal respeitável transporte, como substâncias impuras.

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